Cinema

A História dos Efeitos Visuais

Com a imensa bilheteria arrecadada por “Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros” nas últimas semanas, me ocorreu a ideia de escrever um artigo sobre efeitos visuais. De onde vieram e como evoluíram. Antes de mais nada, é imprescindível entender a diferença entre efeitos especiais e efeitos visuais. Enquanto o primeiro é realizado durante as gravações, o segundo acontece na pós-produção. Com este conceito estabelecido, podemos prosseguir.

Tudo começou em 1902, quando Georges Méliès descobriu os efeitos visuais, realizando o primeiro filme de ficção científica de todos os tempos: “Viagem à Lua”. A história consistia em pessoas indo para a Lua por meio de uma bala gigante. O filme tem apenas 10 minutos e está disponível no YouTube até na versão colorida. Para os amantes de cinema, vale a pena conferir.

Anos depois, em 1933, veio “King Kong”, que elevou incrivelmente a barra dos efeitos visuais. Principalmente na área de stop-motion. Willis O’ Brien fez com que o grande gorila se tornasse um dos personagens mais marcantes do cinema. Hoje em dia os efeitos estão bastante datados, é verdade, mas ainda assim é um clássico do cinema e é impressionante pensar que foi feito há tanto tempo.

História dos Efeitos Especiais

Fonte: fact.co.uk

Em 1977, “Star Wars” saía nos cinemas. George Lucas revolucionou o cinema como um todo. Tanto na parte visual como na parte comercial. Mas esta segunda, nós deixamos para um outro artigo. O filme conseguiu realizar cenas sem precedentes e deixou o público todo boquiaberto evidenciando o potencial que os computadores tinham. Lucas conseguiu nos transportar para muito tempo atrás numa galáxia muito, muito distante por meio da computação gráfica, criando a Industrial Light & Magic (ILM), possivelmente a empresa mais importante de efeitos visuais.

James Cameron também deixou seu nome nessa lista com “O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final” de 1991. Ele conseguiu criar um personagem inteiramente feito de metal líquido por CGI (Sigla em inglês para Imagens Geradas por Computador). Qualquer efeito que vemos hoje com líquidos. Seja uma cachoeira, seja um copo de refrigerante, deve às inovações de Cameron.

Em 1993, outro grande nome do cinema entrou para esta lista. Steven Spielberg com “Jurassic Park”. Se Cameron criara um personagem verossímel através de CGI, Spielberg criou um personagem real. Os efeitos visuais desse filme se sustentam até hoje. Misturando animatrônicos (sim, eles construíram um robô T-Rex em tamanho real) com computação gráfica, o diretor conseguiu extrair o melhor dos dois mundos. Uma curiosidade é que dos 127 minutos de filme, os dinossauros só aparecem em 15, mostrando como Spielberg soube esconder suas cartas, criar tensão e não desgastar os efeitos.

“Toy Story”, de 1995, foi o primeiro longa-metragem de animação por CGI de todos os tempos. Não à toa, o primeiro longa da Pixar, que é um estúdio conhecido por avanços técnicos na área de animação digital. Sim, “Toy Story” não é um filme live-action (com atores aparecendo frente à câmera). Mas sem dúvidas, sua existência possibilitou a vinda de muitos outros filmes dependentes de efeitos visuais.

Quatro anos depois, em 1999, os irmãos Wachowski lançaram “Matrix”. Outro filme que inovou absolutamente no CGI. O bullet time (cenas de extrema câmara lenta), Neo parando as balas no ar, e mais outras incontáveis cenas de encher os olhos. Muitos filmes copiaram as técnicas desenvolvidas por “Matrix”. Nenhum teve tanto êxito (nem mesmo as sequências do longa). Mas o filme de 1999 será sempre lembrado, dentre vários aspectos, pelas incríveis cenas de ação.

Fonte: stevenbenedict.ie

Em 2002, “Senhor dos Anéis: As Duas Torres” estreou. O neo-zelandês Peter Jackson foi capaz de inovar fortemente em dois aspectos. Primeiro, a equipe de efeitos visuais Weta (criada por Jackson) conseguiu criar exércitos gigantes com milhares de membros usando inteligência artificial para cada soldado virtual, já que seria impensável animar cada um individualmente. Houve ainda a criação de Gollum, o primeiro personagem completamente por CGI e captura de movimentos. É incrível o nível de realismo. Os realizadores misturavam os movimentos de Andy Serkis com animação 3D tradicional conferindo um sentido de realismo excepcional. É impressionante até hoje.

Fonte: patricksponaugle.files.wordpress.com

Por fim, em 2009, James Cameron revolucionou mais uma vez o cinema de efeitos visuais com “Avatar”. O filme conta com a mesma tecnologia de captura de movimentos de Jackson, porém aprimorada. Cameron foi capaz de criar um universo inteiro através de computação gráfica. Boa parte do longa é quase como “Toy Story”. Mas dessa vez, os personagens não são caricaturais. Eles são realistas.

Fonte: www.mustdo.com.br

Estes são apenas alguns dos mais importantes filmes para a história dos efeitos visuais, que hoje estão quase sempre presentes no cinema. E você? Já assistiu a todos estes filmes? Que outros filmes você admira os efeitos visuais? Deixe aí embaixo nos comentários. E aproveite para sugerir o próximo artigo ou crítica.

Imagem: Cinemascope

  • Irene de Matos

    Adorei! Este Bernie é sensacional!! Inequiparavel e incontestavel seu argumento. Muito bem colocado conforme os parâmetros linguísticos também! É um orgulho para todos de sua família, creio eu. Adoraria conhecer-lo pessoalmente, pretendes ir na estréia de exterminador do futuro?

  • Pedro Gouvea

    Perfeito! Muito bom mesmo, sensacional!!!

  • Lucas Andrade

    Irado! Você escreve bem mesmo, follow @TFX! 🙂

  • Irene Pinhares

    Muito Bom! Esta aprovado pelo conselho!

  • Sonia Maria Custodio

    Excelente. Como sou apaixonada por efeitos visuais, o artigo é pra lá de bem vindo, ainda mais, pela forma como foi escrito. Parabéns a você Bernardo e, a toda a equipe do site.

  • Fabricio Correia

    King Kong é um excelente exemplo de como a tecnologia dos efeitos visuais evoluiu, a versão de 2005 é simplesmente perfeita.

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Meu nome é Bernardo Hippert, diretor da Aibu’s Films. Amante de cinema e nerd old school.

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