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Por que “De Volta para o Futuro” continua atual depois de 30 anos?

Pois é, em 1985, a primeira aventura do jovem Marty McFly e do Dr. Emmet Brown saía nos cinemas. O filme, dirigido por Robert Zemeckis (“Forrest Gump”) e produzido por Steven Spielberg (“Tubarão”), foi um enorme sucesso na sua época e, até hoje continua ganhando fãs pelo mundo todo. Mas o que faz essa trilogia (os outros dois filmes também são excelentes) ser tão adorada até hoje?

De volta para o Futuro 2015
Fonte da imagem: io9

Bob Gale, o roteirista, teve a ideia do filme ao olhar o álbum de formatura de seu pai e se questionar: “será que eu seria amigo do meu pai se tivéssemos a mesma idade?”. E essa pergunta é uma questão central do primeiro capítulo da trilogia. E, ao mesmo tempo, uma questão universal. Praticamente qualquer um pode se identificar com esse questionamento.

Além da ideia genial, a execução também foi primorosa. Gale encheu o roteiro com referências à cultura pop e autorreferências dentro do próprio filme, sempre brincando com o fato de que, se algo é alterado no passado, sofrerá as consequências no futuro. Esse jogo deixa o filme muito dinâmico.

Outro aspecto que proporciona uma atemporalidade ao longa é ele se passar em tempos diferentes. A ida para o passado e a “volta para o futuro” faz com que o filme possa ser assistido com naturalidade para sempre, sem ficar datado devido a uma cultura temporal.

De volta para o Futuro
Fonte da imagem: io9

Porém, talvez o principal fator que transforma o filme de Zemeckis em uma obra atual até os dias de hoje é a forma de desenvolvimento do conflito. Ou melhor, dos conflitos. Algo muito frequente nos filmes do Spielberg da década de 80 era uma estrutura na qual um conflito puxava o outro e, para o protagonista, não bastava resolver apenas um. “De Volta para o Futuro”, mesmo não sendo dirigido por ele, é um exemplo perfeito dessa forma.

Marty tinha três problemas principais: voltar para o presente, fazer com que seus pais se apaixonassem e salvar o Doc dos terroristas. Isso sem falar nos problemas secundários como, por exemplo, a rejeição da sua banda.

Essa pluralidade de conflitos confere uma dinâmica extremamente bem vinda à obra. É isso, provavelmente que faz com que o filme não fique datado. Tirando os efeitos visuais, parece que o longa acabou de sair nos cinemas. Outro fator muito importante é o carisma do elenco. A química entre Michael J. Fox (McFly) e Christopher Lloyd (Brown) é inequiparável e nos traz, sem dúvida, uma das melhores duplas do cinema.

De volta para o Futuro 2015
Fonte da imagem: Fanpop

Enfim, já estamos em 2015, o ano do futuro em “De Volta para o Futuro 2”. Infelizmente, não temos carros voadores nem hoverboards ainda. Muitos descontaram do filme por ter errado tais previsões. Mas Zemeckis, no começo dos anos 2000, disse que até Kubrick tinha errado previsões para o futuro. Então, já que era impossível prever o que viria, o diretor optou pelo futuro mais legal possível. Esse talvez seja o maior trunfo da trilogia inteira.

A consciência de que é apenas uma aventura com pitadas de humor e que a ficção científica está em segundo plano. Mas, principalmente, o desinteresse em fazer algo grandioso ou espetacular (o que é muito comum em filmes de viagem no tempo). Apenas o divertido e o honesto. E isso é uma das coisas de que o cinema atual mais carece.

Imagem: Taringa!

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Meu nome é Bernardo Hippert, diretor da Aibu's Films. Amante de cinema e nerd old school.

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