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Resenha: Star Wars: O Despertar da Força (Sem Spoilers)

Depois de uma longa espera, o sétimo episódio da saga Star Wars estreou no mundo inteiro. Certamente, o filme mais aguardado do ano (talvez de todos os tempos) tinha uma difícil tarefa em atender às expectativas da enorme base de fãs que acompanham a história de George Lucas desde 1977. No entanto, Lucas não está mais no comando. Após a venda para a Disney, o filme caiu nas mãos do competente diretor J.J. Abrams (Star Trek, Lost), deixando a franquia nas mãos de um verdadeiro fã pela primeira vez.

O roteiro foi escrito por Abrams junto com Lawrence Kasdan (O Império Contra-Ataca) seguindo basicamente a estrutura dos primeiros filmes. A primeira metade e a apresentação dos personagens são conduzidas brilhantemente, de forma praticamente irretocável. Além disso, o longa ainda consegue deixar várias questões levantadas que só serão respondidas nos próximos episódios.

Fonte: screenrant.com

Rey, interpretada por Daisy Ridley, que curiosamente nunca participou de um longa metragem antes, é uma personagem incrível. O seu cotidiano é muito bem mostrado, mesmo que o filme não gaste muito tempo com isso. O público acredita na personagem e no seu universo. A atuação de Ridley é muito importante para isso também, de forma que ela injeta um carisma em Rey, deixando-a no nível dos personagens já consagrados.

Outro que também acerta em cheio é John Boyega. Seu Finn é inseguro, o que conflita com sua necessidade de ajudar os outros. Aliás, a origem do personagem é muito interessante (algo que não pode ser aprofundado, à fim de evitar spoilers). Finn e Rey formam uma dupla de protagonista como há muito tempo o cinema blockbuster não via. Eles funcionam tão bem juntos que Anakin e Padmé certamente os invejariam.

Temos a volta de Harrison Ford no icônico papel de Han Solo. Ford está mais à vontade do que nunca e Han Solo (que tem uma participação relevante) dispensa comentários. Junto com ele, estão de volta Peter Mayhew como Chewbacca, Carrie Fisher como Leia, Anthony Daniels como C-3PO e, é claro, Mark Hamill como Luke Skywalker.

É necessário destacar a presença de BB-8, que consegue assumir o papel do R2 de forma brilhante. O público encara o dróide como mais um personagem de igual importância. Foi um acerto e tanto. Além disso, Oscar Isaac interpreta um piloto da resistência. Cria um personagem com um grande potencial, mas que provavelmente será mais explorado nos próximos filmes.

Fonte: screenrant.com

Os antagonistas são um pouco mais problemáticos. Kylo Ren, o personagem de Adam Driver, é apresentado de forma muito promissora, mas ao longo do filme vai perdendo sua imponência. Driver é um bom ator, mas não parece ter casado muito bem com o personagem. Gwendoline Christie é sub-aproveitada como a Capitã Phasma, que também é apresentada muito bem. O funcionamento e a existência da Primeira Ordem também são mal explicados. O público pode ficar confuso com o pano de fundo político. Mas a aventura não é prejudicada.

J.J. Abrams fez um trabalho excelente, homenageando os fãs e progredindo com a história. É impressionante como ele conseguiu imprimir o clima e o “feeling” dos originais, filmando em película e com as mesmas lentes. É notável o respeito e o cuidado com o filme. Ele mescla efeitos visuais com efeitos práticos com brilhantia. O planeta Jakku é extremamente verossímil. Abrams fez questão de filmar num deserto de verdade, numa floresta de verdade, e por aí vai; Quando, na verdade, poderia simplesmente usar uma tela verde. Essa atitude deixa o filme mais autêntico e real à sua maneira.

Fonte: img00.deviantart.net

A fotografia é belíssima. O longa é recheado de planos incríveis, com as cores muito bem aproveitadas. As sequências de ação são muito bem coreografadas, principalmente as batalhas com sabre de luz. O filme consegue atingir um balanço entre as piruetas da trilogia nova (que agora não é mais nova) e as lutas estáticas da trilogia antiga. Dessa forma as batalhas são brutais e mais realistas.

Ao final, Abrams conseguiu atender as expectativas, criando um filme com a primeira metade praticamente irretocável, com um ritmo e apresentação excelentes e personagens extremamente carismáticos. É verdade que os vilões não foram tão fortes, mas concorrer com Darth Vader é injustiça. O filme não é perfeito, mas acerta quase todas as notas e, principalmente, leva uma nova geração para uma galáxia muito, muito distante. Geração essa, que daqui a 30 anos, pode estar no comando desses filmes. Há tempos que não vejo o público sair do cinema tão feliz e otimista. A força despertou! Que venha o episódio VIII.

Nossa Opinião
  • Roteiro - 8/10
    8/10
  • Elenco - 9/10
    9/10
  • Visual - 10/10
    10/10
  • Direção - 10/10
    10/10
  • Entretenimento - 10/10
    10/10
9.4/10

Imagem: Star Wars

  • Waldryane Reatgui

    Acabei de chegar do cinema, e claro o filme foi tudo de bom! Que venha SW8!! Que a força esteja com você!

  • Val

    É um excelente artigo! Meus parabéns!!!!

  • Mariana Travieso Bassi

    Amei a resenha!! Só acho que o vilão é forte sim – é que ele ainda não despertou para sua “verdadeira força”, mas ele é um personagem razoavelmente complexo que ainda tem bastante a mostrar pra nós! (pelo que o ator deixou transparecer) hehe Especificamente sobre apresentar star wars para uma nova geração de fãs, fiz um vídeo com entrevistas com fãs dessas diferentes gerações, se quiser ver… https://www.youtube.com/watch?v=8iANWy3YGo4

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Meu nome é Bernardo Hippert, diretor da Aibu's Films. Amante de cinema e nerd old school.

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