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Crítica: Creed: Nascido para Lutar

Quem diria que a franquia Rocky chegaria ao seu sétimo filme? Tudo começou com o despretensioso Rocky – Um Lutador em 1976. Um filme que provou que uma história bem contada não precisa de um grande orçamento para atrair fãs. Creed segue essa linha, porém a principal diferença é que esse é o primeiro filme que não tem Rocky como protagonista. A história não é sobre ele e o diretor Ryan Coogler sabe disso. Note por exemplo como ele usa a trilha sonora.

O filme é sobre Adonis, o filho do ex-lutador Apollo Creed (que teve participações importantes nos quatro primeiros filmes da série). O garoto é interpretado por Michael B. Jordan que faz um excelente trabalho ao gerar empatia pelo personagem mesmo ao expor seus maiores defeitos. É notável uma insegurança escondida dentro do personagem, o que gera mais uma camada muito interessante na sua personalidade. Isso o deixa ao nível do antigo protagonista, pois a platéia compra seu drama, assim como comprou o de outro lutador 40 anos atrás.

Fonte: joblo.com

Sylvester Stallone volta como Rocky Balboa numa performance impressionante. É bem verdade que em termos interpretativos, ele nunca foi dos melhores, no entanto, nesse filme a sua atuação é impecável. Ele transmite muito bem todas as dificuldades ao transitar por decisões e sentimentos difíceis e, acreditem, não são poucos. Completando o elenco coadjuvante está Tessa Thompson, sendo a “Adrian” da vez. Infelizmente, a personagem tem um drama e um arco pouco explorados, o que deixa a personagem menos interessante.

O diretor Ryan Coogler, vindo de filmes independentes, através da fotografia, cria um visual que referencia os filmes anteriores a todo momento. Ele opta por alguns planos-sequência, principalmente durante as lutas, que são magníficos e muito bem executados pelos atores. Isso ajuda a trazer uma credibilidade para os combates, tornando-os mais brutais, ao mesmo tempo que contrói uma tensão no espectador que, inconscientemente e desesperadamente, aguarda por um corte. O que prova 0 excelente trabalho do diretor é a luta final do filme, quando toda a platéia está na ponta de suas cadeiras, pois realmente se interessam pelos personagens.

Fonte: moviesmacktalk.com

A história segue a estrutura básica de todos os outros filmes (com exceção do quinto, que tentou sair dela e resultou no pior filme da franquia). Assim como aconteceu em Star Wars: O Despertar da Força (curiosamente, também o sétimo filme da sua saga), aqui ocorre uma espécie de reboot parcial. A história se repete em estrutura, não em conteúdo, e toma uma nova direção para que, em possíveis futuros filmes, os personagens antigos não sejam mais necessários.

Hollywood parece estar seguindo uma onda de filmes nostálgicos, Jurassic World e Star Wars são excelentes exemplos e que deram muito certo. Creed também apela para a nostalgia de uma maneira sutil e inteligente. Não é mais um filme do Rocky, e sim um filme com ele. Contando com uma direção sólida, um elenco excelente e uma história num universo familiar, o filme vale a pena ser visto. Toda a carga emocional é devidamente recompensada no ato final, mostrando que Stallone ainda está lá para aguentar as pancadas. E agora, Michael B. Jordan também.

Nossa Opinião
  • Enredo - 8/10
    8/10
  • Elenco - 9/10
    9/10
  • Direção - 10/10
    10/10
  • Visual - 9/10
    9/10
  • Entretenimento - 9/10
    9/10
9.0/10
Cinema

Meu nome é Bernardo Hippert, diretor da Aibu's Films. Amante de cinema e nerd old school.

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