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Crítica: Steve Jobs

O mundo certamente não seria como é hoje se Steve Jobs não tivesse existido. Apesar de suas muitas falhas, ele revolucionou a tecnologia e o estilo de vida mundialmente. Isso é inegável. Sua interessante história já havia sido retratada no cinema com Jobs, protagonizado por Ashton Kutcher. Apesar da similaridade física do ator, o filme não foi muito bem de crítica. Três anos se passaram e mais uma biografia é lançada.

É notável uma tentativa eficaz e justificável de se distanciar do longa de 2013. O roteiro de Aaron Sorkin, baseado no livro de Walter Isaacson divide a história em três períodos, intercalados por longas elipses temporais. Dessa forma, cada vez que um dos saltos no tempo acontece, os personagens voltam diferentes de como estavam anos atrás. Mais ou menos da forma como acontece em Boyhood, dirigido por Richard Linklater. O que funcionou muito bem naquele filme, aqui se torna o principal problema. Linklater não buscava estabelecer uma curva dramática, seu objetivo naquele filme era retratar a vida como ela é. Logo, era interessante ver como os personagens mudavam a cada salto no tempo. Porém, em Steve Jobs, há um arco emocional, que é quebrado, ao menos duas vezes, devido a essas elipses.

Fonte: i1.wp.com

Todavia, o roteiro tem seus méritos. Assim como em Spotlight, a história é desenvolvida majoritariamente através de diálogos. Diálogos esses que se passam quase inteiramente em ambientes internos. Se a qualidade do roteiro não fosse boa, o cansaço do público apareceria rapidamente, o que não é o caso.

É verdade que o roteiro não é o único responsável por isso, afinal as atuações são o grande ponto forte do filme. Michael Fassbender traz uma performance extremamente dedicada, num nível que ela compensa a falta de semelhança física com Jobs. A construção de um homem metódico e obsessivo é feita através da cautela antes de falar, da dominância nos debates e de certos traços que são evidenciados repetidamente ao longo do filme. A sua indicação ao Oscar não é à toa.

Kate Winslet interpreta Joanna, a assistente de Steve, a única voz que ele escuta. A atriz vive demonstrando os momentos que Joanna quase desiste de Jobs, pois sua personalidade é, em boa parte, contrastante com a do protagonista, o que cria uma dinâmica interessante. Completando o elenco principal, estão Seth Rogen (com o melhor trabalho de sua carreira), Jeff Daniels e Michael Stuhlbarg.

O mais interessante é que cada personagem coadjuvante serve para despertar uma faceta do protagonista. Principalmente a sua filha, Lisa. A personagem serve para revelar o lado afetivo de Jobs, há muito mascarado devido à difícil criação dele. São cenas verdadeiras que nos mostram o Steve Jobs diferente do que conhecemos.

Fonte: media.breitbart.com

A direção de Danny Boyle é, em certos momentos, claustrofóbica. Nos momentos de tensão, o diretor opta por planos fechados que incomodam o público no bom sentido. As inserções de flashbacks ajudam a movimentar a história de uma maneira bastante inventiva. Aliás as cenas que misturam diálogos do presente e do passado são as melhores do filme, pois cria-se uma ironia muito bem vinda. É curioso notar, também, como o filme nunca venera a figura da qual se trata. Os lados mais arrogantes e egoístas de Jobs são postos à mostra e, mesmo assim, nós simpatizamos com a sua figura.

Ao final, Steve Jobs nos presenteia com atuações excelentes, um roteiro dotado de bons diálogos mas com uma estrutura problemática, e uma direção inventiva que não trata Jobs como um deus, mas como um homem falho que, bem ou mal, revolucionou o mundo. Afinal, se não fosse ele, este texto não existiria.

Nossa Opinião
  • Roteiro - 8/10
    8/10
  • Elenco - 10/10
    10/10
  • Direção - 8/10
    8/10
  • Visual - 7/10
    7/10
  • Trilha Sonora - 9/10
    9/10
8.4/10
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Meu nome é Bernardo Hippert, diretor da Aibu's Films. Amante de cinema e nerd old school.

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