Cinema

Crítica: Deadpool

Deadpool é um personagem relativamente novo criado no universo dos mutantes da Marvel. Teve sua primeira aparição na história “New Mutants #98” em 1991. Inicialmente, tratava-se de uma paródia do personagem Exterminador da DC, mas Deadpool se tornou rapidamente um ícone das histórias em quadrinhos. Pelo seu jeito não-convencional de lidar com o mundo dos super-heróis, não hesitando em matar, usando o recurso de quebrar a quarta parede para interagir com o leitor e seu humor “politicamente incorreto”, o personagem foi um quebrador de paradigmas.

Nos cinemas, teve sua aparição no pífio “X-Men – Origens Wolverine” sendo interpretado pelo até então odiado Ryan Reynolds (que também já tinha estragado o personagem Lanterna Verde). Uns anos atrás, porém, o ator divulgou um teaser que vendeu a ideia do novo filme. A FOX acreditou no projeto e deu nas mãos dos roteiristas de “Zumbilândia”. E o filme já começou acertando na divulgação: os trailers eram recheados de ação e piadas hilárias, vários cartazes e teasers promocionais satirizavam outras obras do cinema e até mesmo o próprio Deadpool. Via-se claramente que a essência do personagem parecia ter sido captada. E essa essência já é demonstrada na primeira cena do filme.

deadpool-gallery-03-gallery-image

Imagem/Reprodução: FOX Films

Trata-se de uma cena de ação em câmera leta com muitas mortes extremamente escatológicas e com a inserção dos comentários do protagonista. Ali o filme já mostrou para o que veio: ser uma grande sátira ao mercado de filmes de super-heróis. E é por isso que o longa é tão incrível e não pode ser julgado como uma obra qualquer; apesar do roteiro apresentar algumas conveniências e personagens clichês, essas opções são arquitetadas desde o princípio. O vilão britânico recorrente nessas obras é satirizado no plano inicial. E é essa a grande sacada do roteiro. Ele apresenta o filme da forma como seria se fosse superficial e barato, mas no fundo vê-se o recurso da ironia sendo usado com maestria. Escrito por Rhett Reese e Paul Wernick, o roteiro também apresenta um ponto forte nas piadas. Fazia tempo que um filme americano não provocava tantas risadas em um cinema lotado. Isso se deve ao fato de Deadpool não perdoar ninguém: ele zoa a FOX, a Marvel, Hugh Jackman e o próprio astro Ryan Reynolds. Usando do recurso de quebrar a quarta parede frequentemente (assim como nos quadrinhos), o personagem faz com que o espectador se sinta um intruso na história e a identificação é praticamente instantânea, mesmo que seus atos sejam moralmente duvidosos. Resumindo: além de apresentar alívios cômicos memoráveis, o filme dá uma aula de construção de um anti-herói da melhor forma possível. Se “Guardiões da Galáxia” havia sido grandioso por seu tom cômico, “Deadpool” faz tal obra parecer um filme sério qualquer. Trata-se da adaptação definitiva de uma história em quadrinhos.

A direção de Tim Miller é bastante competente. O diretor inicia o filme com um plano-sequência extremamente bem realizado, focando nos detalhes da cena que provocam humor, ao mesmo tempo que dá uma apresentação concisa do universo da história. Além disso, as cenas de ação do longa são bem filmadas e coreografadas, visto que a movimentação é muito fluida e verossímil. O uso de câmera lenta é feito na medida ideal e a inserção da trilha sonora é genial. Para se ter uma ideia, apenas com a música o filme consegue fazer rir. O carisma de Ryan Reynolds é comprovado aqui. Finalmente o ator teve sua redenção. Logicamente não pode-se dizer que Reynolds é um ator excelente, mas como Deadpool serviu perfeitamente. Outro ponto forte é o fato de que a história não é linear e isso já o diferencia de muitos filmes de origem. Através de flash-backs onde o próprio protagonista descreve a história, o longa vai apresentando os fatos que se desencadeiam até chegar em tal ponto da história. E essa transição é feita de uma forma muito dinâmica, visto que o interesse do espectador é sempre alto no desenrolar dos fatos.

deadpool-gallery-06-gallery-image

Imagem/Reprodução: FOX Films

Mas, “Deadpool” não é um filme fácil. Para amantes de cinema artístico não é uma boa pedida. Cenas extremamente violentas, piadas sujas e uma história genérica. Mas, para quem conhece o personagem dos quadrinhos ou gosta do universo cinematográfico dos heróis, é uma grata surpresa. O filme consegue divertir do início ao fim, através de piadas que fazem referência a muitos elementos da cultura POP. Afinal, Deadpool é um ícone das histórias em quadrinhos, pela sua rebeldia e por seu momento em que foi criado, onde o “politicamente incorreto” estava em alta. E, em 2016, somos presenteados com uma obra que capta a real essência do personagem. “Deadpool” é a adaptação definitiva do mundo de um herói para o cinema, mesmo que o protagonista não seja heroico. Palavras dele, não minhas.

Nossa opinião
  • Roteiro - 8/10
    8/10
  • Elenco - 9/10
    9/10
  • Direção - 9.5/10
    9.5/10
  • Visual - 8.5/10
    8.5/10
  • Trilha Sonora - 10/10
    10/10
9/10
  • Mariana Travieso Bassi

    Muito boa resenha! Adorei principalmente as considerações finais, sobre a opinião de cinéfilos versus dos fãs. Bem válido comentar, mesmo. E concordo também com a nota! hehe tanto que foi assistir duas vezes no cinema e fiz um vídeo sobre o personagem, com meu namorado, se quiser ver… https://www.youtube.com/watch?v=vJ3-1H5Yn28

Cinema

Apaixonado por Star Wars e Senhor dos Anéis e profundo apreciador da sétima arte.

Veja também outras matérias relacionadas a Cinema:

Crítica: Moana

Juan de Souza06/01/2017

Crítica: Rogue One – Uma História Star Wars

Juan de Souza17/12/2016

Curiosidade: As cenas reutilizadas da Disney

Juan de Souza18/10/2016

Crítica: Meu Amigo, o Dragão

Juan de Souza02/10/2016

Filmes que todo empreendedor deveria assistir no Netflix

Juan de Souza14/08/2016

Crítica: Esquadrão Suicida

Juan de Souza05/08/2016