Cinema

Crítica: Shazam!

Com um ritmo bem-humorado e divertido, Warner estreia com seu mais novo herói nas telonas.

Lançado no dia 4 de abril, a mais nova adição ao universo cinematográfico da DC traz, novamente, um estilo e humor que vimos nos últimos sucessos da Warner Bros como Aquaman, que faturou pouco mais de USD 1 bilhão, e seu antepassado Mulher-Maravilha. O filme traz a história do órfão Billy Batson (Asher Angel) , um garoto de 14 que busca sua mãe perdida pela cidade de Filadélfia, e após se encontrar com um poderoso mago ancião, recebe super-poderes ao falar a palavra mágica: SHAZAM!

O filme se trata de uma clássica história de origem de super-herói, desde seu passado trágico que o conecta com os espectadores, até o momento de climax onde o herói redescobre sua natureza poderosa e derrota o vilão. Saindo da abordagem escura e sinistra de Zack Snyder (Homen de Aço, Batman v Superman e Liga da Justiça), o diretor David F. Sandberg traz comédia e diversão a uma história genérica porém divertida, créditos a Henry Garden e Darren Lenke. É evidente que esta mudança de storytelling é fruto do produtor Peter Safran (Aquaman) que, ao buscar se assemelhar com os sucessos da Marvel Studios, conseguiu manter o carisma de seus heróis e remediar a crise no DCEU (DC Extended Universe).

Zachary Levi interpreta “Capitão Marvel” (Billy após falar Shazam) de maneira adequada para o papel que lhe foi dado, sem precisar ter um personagem profundo e emotivo e deixando isso para Asher Angel, que faz um bom trabalho junto com o amigo de Billy, Freddy Freeman, interpretado por Jack Dylan Grazer. Billy conhece Freddy e mais 4 crianças ao ser transferido para um lar adotivo no começo do filme, e só dará valor as suas companhias após se tornar o campeão do mago Shazam (Djimon Hounsou). O mago, descendente de uma longa linhagem de nobres guerreiros, é encarregado de proteger o mundo de demônios, libertados por um campeão Shazam anterior, e após se tornar muito velho para o fardo, escolhe Billy Batson por seu coração puro. Billy recebe poderes mágicos ao falar a palavra mágica; a sabedoria de Salomão, força de Hércules, vigor de Atlas, poder de Zeus, coragem de Aquiles e a velocidade de Mercúrio.

O roteiro do filme consegue fazer metade do seu trabalho, sem nos surpreender com plot-twists, oferecer ensinamentos sobre a vida ou até mesmo desenvolver personagem, nos proporciona pouco mais de duas horas de entretenimento, que foram providas de uma maneira boa pelo diretor David F. Sandberg. O filme traz como vilão principal Mark Strong (Kingsman, Kick-Ass) no papel do Dr. Thaddeus Silvana, um homem que quando jovem foi negado o poder do mago Shazam e resolveu toma-lo por conta própria, nisso libertou os Sete Pecados Capitais.

Em segunda perspectiva, percebemos uma vasta diferença entre o conteúdo e forma do longa, como a direção consegue extrair o máximo do roteiro, ou como a trilha sonora pode tanto salvar quanto estragar diversas partes do roteiro, ou até mesmo como o sub-aproveitamento de bons atores por falta de qualidade no personagem denotam erros no produto final. Enquanto os ruins do filme podem ser facilmente notados em poucas cenas, os pontos altos podem se destacar mais por sua constância e sim, sua qualidade, algo que ficou raro nos filmes de herói da Warner.

Com uma história cativante apesar de mal contada, Shazam consegue capturar o bom humor de todos, e agradar desde a criança até os fãs mais envolvidos com quadrinhos. Diversos momentos de comédia, com cenas dramáticas escolhidas com calma e delicadeza (certas cenas podemos notar uma iluminação específica, que se assemelha aos quadrinhos de Alex Ross). Bom, divertido e com uma história de origem diferente, Shazam impressionou quem não estava com expectativas altas, e não decepcionou quem sabia o que esperar, entregando mais uma prova de que a reformulação do universo DC está em progresso, e apesar de não ser filmes tão poderosos como os da Marvel, deixa sua marca registrada no cinema.

  • 6/10
    Enredo - 6/10
  • 8/10
    Elenco - 8/10
  • 8/10
    Direção - 8/10
  • 7/10
    Trilha Sonora - 7/10
7.3/10
Cinema

Estudante da PUC-Rio, jornalista em formação. Fã número 1 do entretenimento das massas.

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