Cinema

Crítica: Vingadores Ultimato

21 filmes em 11 anos chegam a uma conclusão épica do universo cinematográfico Marvel.

Estreado na quinta feira 25 de abril, Vingadores Ultimato já alcançou mais de 1,2 bilhão de dólares no mundo inteiro, entrando no top 10 da bilheteria na história. Dirigido e escrito pelos irmãos Russo (Soldado Invernal, Guerra Civil e Guerra Infinita), o filme se passa logo após os eventos do blockbuster do ano passado, Guerra Infinita, onde o vilão Thanos (Josh Brolin)  cumpriu seu objetivo e eliminou metade da vida do universo, incluindo grande parte dos exércitos dos heróis. Entre 2018 e 2019, fãs conviveram com a ansiosidade de descobrir o que aconteceria com seus heróis favoritos. Nesse período ainda fomos introduzidos a nova heroína, Capitã Marvel (Brie Larson), que se tornou uma das principais personagens do novo e último filme da saga após seu sucesso de cerca de dois meses atrás.

Em 2008, o Universo Cinematográfico Marvel começou com o filme Homem de Ferro, que daria início a ideia de super-heróis na vida real. Vemos Robert Downey Jr. fazendo jus a uma interpretação digna de Tony Stark, um CEO gênio que após criar uma armadura militar capaz de diversos poderes, decide usa-los para o bem. Em 2011, sua dupla Steve Rogers, o Capitão América, chegou aos cinemas sendo interpretado por Chris Evans. Congelado por 70 anos Steve era o resultado de um experimento de super soldado que acorda em 2012, aceitando liderar o grupo Vingadores composto por Stark, Thor (Chris Hemsworth), Viúva Negra (Scarlett Johansson), Bruce Banner/Hulk (Mark Ruffalo) e Gavião Arqueiro (Jeremy Reener).

No Vingadores Era de Ultron, depois que Nick Fury (Sam L. Jackson) apresentou o mundo a equipe, seu número de integrantes aumentou, heróis como Máquina de Combate (Don Cheadle), Feiticeira Escarlate (Elizabeth Olsen), Visão (Paul Bettany) e Falcão/Sam Wilson (Anthony Mackie) entraram. O grupo enfrentou ameaças tanto externas como internas nos anos a seguir, brigaram entre si em Guerra Civil (2016) por exemplo, e em Guerra Infinita (2018) se juntaram aos Guardiões da Galáxia, Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e Pantera Negra (Chadwick Boseman) para enfrentar os exércitos de Thanos.

O vilão estava se preparando desde o primeiro filme dos Vingadores, onde teve uma cena pós-créditos dedicada á sua introdução, quando ele teve um filme destinado a si e seu embate com os vingadores, não poupou esforços em fazer uma boa impressão. Adquirindo mais tempo de tela que os próprios heróis, seu objetivo era claro: Coletar as Joias do Infinito e se tornar o ser mais poderoso de todo universo. Logo no início de Guerra Infinita derrota Hulk no combate à mão e enforca Loki (Tom Hiddleston), conhecido por ser o único bom vilão da Marvel até sua chegada.

Após derrotar diferentes grupos separados dos Vingadores, e sacrificar sua filha adotiva Gamora (Zoe Saldana), conquista seu objetivo, e antes que Thor possa impedi-lo estala os dedos e  elimina 50% de toda a vida do universo em sua busca por equilíbrio dos recursos. Marcados pela derrota, os Vingadores chegam nesse novo filme com o objetivo de revidar contra o Thanos custe o que custar.

Apesar dessa última parte dos filmes terem o comando de Anthony e Joe Russo, devemos agradecer a duas pessoas por toda essa experiência do Marvel Cinematic Universe. Primeiramente o querido e amado Stan Lee, criador de vasta maioria dos heróis da Marvel nos quadrinhos, faleceu no ano passado deixando grandes histórias e diversos heróis. O escritor ficou ainda mais famoso nos últimos anos por seus pequenos cameos nos filmes de super-heróis que criou, tendo homenagens também em filmes mais recentes como Homem-Aranha no Aranhaverso (feito pela Sony Pictures Animation) e Capitã Marvel (primeiro filme do MCU que o criador não pode ver).

O segundo nome na lista dos agradecimentos, seria Kevin Feige, presidente da Marvel Studios e produtor de todos os 22 filmes do Universo Cinematográfico Marvel. Feige deve servir de exemplo tanto para produtoras quanto para fãs de quadrinhos, pois ele não só escuta os fãs, ele é um deles, pegando todo o potencial que a Disney tem e investindo pesadamente na saga deste universo que agora conhecemos. Após a compra da Marvel pela Disney em 2010, o CEO se provou intransigente quanto seu plano, estabelendo conexões entre os filmes e contratando diretores novos e inexperientes para criarem um maior nome no mercado, James Gunn e Taika Watiti foram duas surpresas por exemplo.

Com uma estrutura similar as histórias de quadrinhos que a originou, o universo Marvel encerra um ciclo iniciado em 2008, a ‘saga do infinito’. De maneira épica e proporções gigantescas, grandes personagens como Homem de Ferro e Capitão América tiveram a conclusão de seus arcos, o que para os grandes fãs representa o início de algo novo para a Marvel. Assim como Star Wars e Senhor dos Anéis, os Vingadores deixaram sua marca no universo nerd e na cultura pop, heróis e heroínas em grandes batalhas de ideologias de bem contra o mal, Stan Lee e sua famosa dupla Jack Kirby estariam orgulhosos.

Há fatores no filme que cooperam para uma certa confusão em um elemento do enredo, a viagem no tempo é um deles. Diferente de outros filmes do tema, Banner explica que nesta teoria alterar o passado, não altera o futuro, pois estaríamos viajando para outra linha do tempo e não para o nosso passado. Vemos mais disso quando Banner discute com a Grande Anciã (Tilda Swinton), onde ambos os locutores estão corretos a cerca de sua teoria. Infelizmente, o final do Capitão precisou de uma explicação extra do diretor, onde ele afirma que Steve teve que fazer mais um pulo temporal para dar o escudo a Sam Wilson.

Começamos o filme com o tom melancólico de “Dear Mr. Fantasy”, mostrando a derrota de Tony Stark e Nebula (Karen Gillian), passando por “Supersonic Rocket Ship” e seu ritmo que imprime um certo humor a cena enquanto Hulk e Rocket juntam o antigo grupo. E finalmente chegamos no épico “Doom and Gloom” e sua guitarra poderosa em preparo para a grande missão, até ai vemos pouca da trilha composta por Alan Silvestri, tirando o tema dos vingadores quando é exibido o título.

A trilha sonora do filme pontua perfeitamente com os sentimentos que os espectadores sentem nos momentos, culminando no ápice emocional de ouvir Capitão América unindo o exército heróico entoando as clássicas palavras dos quadrinhos “Avengers Assemble”. Ilustrando perfeitamente o que Tony falaria em seu discurso final, dedicado a sua família, os fãs, “um embate entre luz e escuridão aonde o bem sempre triunfa”. Destaque para a fotografia da cena onde vemos Capitão com metade do escudo e machucado, contra todas as forças de Thanos.

Dando um ponto final para diversos arcos, tanto grandes como pequenos, do universo Marvel, Ultimato chegou nos cinemas emocionando fãs ao redor do globo, o filme se torna uma referência em quesitos de direção e construção de personagens apesar de alguns pontos confusos no roteiro. Assim como Guerra Infinita, esse filme não busca explicar o contexto das situações ou dos personagens e isso pode afetar a experiência de espectadores desatentos. Por exemplo, após descobrirem que Thanos destruiu as jóias após o estalo, cinco anos se passam e Capitão vira terapeuta de grupo, Thor vive deprimido pelo sentimento de culpa e Bruce Banner consegue “tratar” o Hulk, são ações que combinam com a personalidade deles, não foi a toa.

As três partes do filme estão muito bem definidas, com um começo relativamente lento que introduz a situação que os personagens se encontram, o filme demonstra o caminho que irá tomar quando Scott Lang, o Homem Formiga (Paul Rudd) sai do reino quântico, onde estava preso após Homem Formiga e a Vespa (2018). Quando Capitão, Viúva e Scott vão apresentar o plano para Tony, seu personagem também mudou com o tempo, valorizando sua nova família acima do risco de falhar nessa nova missão.

O filme então segue sua história após a epifania de Tony que gerou a possibilidade de viajar no tempo com destino e segurança. Até o encerramento, o filme segue num ritmo intenso e divertido, sem momentos baixos que é uma surpresa devido a separação em grupos, o que leva a favorecer uma linha do enredo a outra. Por fim, o final do filme não podia ser mais repleto de grandes momentos, tanto para os fãs de quadrinhos como para o espectador comum.

“Obrigado por fazerem parte do nosso universo”, o filme chegou com essa premissa e entregou até nos momentos mais calmos do filme, como o funeral emocionante de Tony Stark ou a dança de Steve Rogers com Peggy Carter. O garoto no funeral era o garoto do Homem de Ferro 3 (2013), o que Bucky e Steve falam pra si antes de Steve voltar no tempo é uma referência a Capitão América: O Primeiro Vingador (2011), do começo ao fim a Marvel utiliza o amor dos fãs pela saga para demonstrar todo o afeto que tem por eles. Para o espectador comum, é apenas um abraço entre Homem de Ferro e Homem-Aranha, para o fã é Tony Stark demonstrando todo o sentimento que sentiu pelos cinco anos que perdeu o garoto, que no final das contas o levou a criar a máquina do tempo, e a resposta de Peter Parker não podia ser outra além de corresponder, pois vimos em Homem-Aranha de Volta ao Lar (2017) como ele se sentia sobre seu mentor e ídolo.

Épico, hilário, triste e incrível. Vingadores Ultimato remete á infância do público alvo de todos que acompanharam o universo, e é sem dúvida a cartada final da Marvel para provar seu tamanho e influência na cultura pop atual. Feito para os fãs dos filmes e dos quadrinhos Marvel, mas com um apelo ao espectador comum, o filme se destaca em toda a história do cinema devido a essa conclusão da saga.

Chega  de embates entre Marvel e DC sobre quem produz as melhores adaptações de quadrinhos, que comece a disputa entre Marvel e Star Wars ou Senhor dos Anéis para quem tem mais influência no mundo nerd, na cultura geek e no mundo pop como um todo.

Nossa Opinião
  • 7.5/10
    Enredo - 7.5/10
  • 9/10
    Elenco - 9/10
  • 9.5/10
    Direção - 9.5/10
  • 10/10
    Trilha Sonora - 10/10
9/10

Veredito Final de Rafael Bastos

Incrível para os fãs, uma carta de amor dedicada a todos que acompanharam o universo. Com alguns erros no enredo que são dignos de relevância, o filme entrega o que prometeu. Diversão, emoção e conclusão para nosso heróis favoritos da última década.

Cinema

Estudante da PUC-Rio, jornalista em formação. Fã número 1 do entretenimento das massas.

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